Com todo o hype que a internet está a gerar à volta do Nokia N97, é de se pensar se todas as funcionalidades que este modelo oferece serão bem aproveitadas pelos utilizadores nacionais.
O N97 confirma a tendência cada vez mais presente da Nokia de manter o telemovel ligado à Internet a toda a hora, tal como o fazemos com os nossos computadores. No entanto e infelizmente, os operadores móveis portugueses não facilitam esse acesso nem dão mostras de o fazer.
Estão demasiado preocupados em olhar para o seu umbigo e apenas facilitam a navegação em ultrapassados portais wap que estão condenados pelos avanços tecnológicos e capacidades dos termiais mais recentes. Os operadores nacionais continuam a forçar a navegação nos portais para compra de conteúdos que estão disponíveis em livre concorrência na internet. Porque é que eu hei-de comprar uma música por €2 se o posso fazer mais barato fora do portal wap do operador.
O problema até aqui tem sido a facilidade (ou dificuldade) em aceder aos vários serviços que os smartphones já proporcionam (e em particular os Nokia).
Ir ao messenger, comprar um livro na amazon, ver um filme no youtube, alterar o estado no twitter ou escrever no perfil de alguém no Facebook é algo que podemos fazer a partir de um telemovel mas que aos operadores móveis não convém publicitar. Apenas o fazem com planos de dados muito especifícos para determinados terminais.
O lançamento da Loja de aplicações da Nokia vem provar isso mais uma vez. Para que tenham uma ideia, o acesso avulso à internet custa 0,99€ por dia, com tráfego incluído de 10Mb. Isto é independente da navegação dos portais dos operadores. Ou seja, se eu estiver na rua e quiser consultar o google para saber onde fica aquele restaurante ou o que passa no cinema, pago cerca de um euro. A alternativa, é o que eu utilizo e recomendo. Mensalidade de 7,50€ com tráfego incluído de 100Mb. Isto já me dá para ir a todas as aplicações faladas anteriormente e ainda ver o tempo, jogar online, ir aos mesmos sites a que vou no meu computador mas… pelo telefone.
O sucesso do iPhone passa por aqui. A Apple obrigou os operadores que querem vender o iPhone a juntar um plano de dados que permita aos utilizadores do telefone o acesso à net sem que tenham mais custos por isso. Na mensalidade que pagam já vem incluído este plano. Se assim não fosse, o iPhone não teria tanta gente a comprar música pelo iTunes e aplicações pela Appstore.
Aqui em Portugal, o caso é grave. E é grave porque cada vez há mais telefones com estas capacidades e perde-se duplamente. Perde-se porque não há um esforço dos operadores em publicitar o acesso à net e por outro lado porque não permitindo este acesso faz com que os utilizadores não se apercebam de tudo o que o seu telefone pode fazer.
Assim, sem um plano de dados conveniente, vamos continuar a ver pessoas que podiam tirar muito mais partido do seu telemovel a não fazer mais do que as chamadas, sms e idas esporádicas ao vodafone live. Não há aplicações compradas, não há consulta aos emails, não há nada. E quando há, são taxadas a 1 euro ao dia o que desencoraja qualquer um. É pena que os nossos operadores continuem a dar uma ideia de avanços tecnológicos quando algo tão importante como o acesso à internet através do telemóvel é negligenciado e até “nem convém falar muito sobre isso”.
É por isto que para quem não tem um plano de utilização de internet mensal não vai provavelmente utilizar o N97 em todo o seu potencial. Os widgets no ambiente de trabalho, o email, as aplicações, od jogos ngage, o email, o instant messaging e as redes sociais.. tudo isto fica em risco. E assusta-me que na Nokia Portugal também não vejam isto.
Quem me dera estar bem enganado.




Tão escandaloso é o que a internet (via pc ou não) nos permite comparar. Há tarifários internet na Europa e EUA que, por menos de €/$ 10, permitem o utilizador ter acesso a 500 Mb mensais ou mais.
Em Portugal, como foi mencionado, cobram-nos, por exemplo, €1/dia ou €7,5/mês por 100 Mb o que é claramente decepcionante.
Espero que num futuro próximo consigamos aproximar-nos mais do que é praticado no resto da Europa.